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Noticia da Aldeia Te'yikue e região

Devanildo Ramires

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November 10

Carta aberta dos Movimentos Sociais de Mato Grosso do Sul Ypo’i – Terra, Justiça e Vida

Mais uma luta Guarani por terra ganha o mundo com contornos de crueldade. Cansados de prazos não cumpridos e promessas jogadas ao vento, algumas famílias desse tekoha-terra tradicional, nas cabeceiras do riacho do mesmo nome, afluente do rio Iguatemi, no município de Paranhos-MS, retornaram à sua terra, no dia 29 de outubro.  A alegria e a celebração da volta durou pouco. Em menos de três dias foram surpreendidos por um bando de jagunços a serviço dos fazendeiros. Chegaram atirando e batendo em todos, conforme depoimento dos integrantes do grupo, praticamente todos saíram machucados pela ação violento dos jagunços. Na hora do desespero e correria, dois adolescentes e dois professores não conseguiram retornar com o grupo. Os adolescentes reapareceram depois de dois dias, bastante machucados, enquanto os dois professores continuam desaparecidos até hoje, já há uma semana. Houve até rumores de que os corpos deles haviam sido localizados, porém até hoje não se tem nenhuma informação oficial a respeito da localização ou até ocultação dos corpos.

Diante de mais essa brutalidade contra um grupo Guarani, que, apenas quer um espaço para viver em paz com sua comunidade, produzir seus alimentos, fazer suas festas e celebrações, reverenciar seus antepassados e talvez fazer os espíritos das florestas voltarem, é que nós, movimentos sociais vimos a público externarmos nosso repúdio à violência e assumirmos o compromisso solidário na sua luta pela terra.

 Como entidades da coordenação dos movimentos sociais deste estado, queremos também manifestar nosso repúdio às ações e declarações do governo de MS contra a demarcação das terras indígenas, bem como das lamentáveis ações do agronegócio e suas organizações que estão procurando inviabilizar o reconhecimento das terras dos Kaiowá Guarani e Terena.

 Com nosso gesto, queremos nos unir a milhares de pessoas que no Mato Grosso do Sul, no Brasil e no mundo, prestam seu apoio solidário ao povo Guarani e exigem a imediata demarcação de todas as terras desse povo, bem como as terras dos quilombolas e sem terra.

 Exigimos apuração ágil dos fatos, julgamento e punição dos responsáveis por essas violências, além da reparação da dívida histórica através da imediata identificação e demarcação de todas as terras Kaiowá Guarani.

 Campo Grande, novembro de 2009

 Coordenação dos Movimentos Sociais do Mato Grosso do Sul

Comissão de Direitos Kaiowá Guarani

Campanha Povo Guarani Grande Povo

Conselho Indigenista Missionário – CIMI-MS

Conferência dos Religiosos do Brasil – CRB-MS

Movimento de Mulheres Camponesas – MS

FIAN – Brasil e Internacional

Comissão Pastoral da Terra – CPT MS

Movimentos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra – MST MS

CDDH – Marçal de Sousa

October 26

Escola Ñandejara Conquista Titulo da Copa da juventude 2009

Pela rivalidade dentro e fora da quadra as equipes da Ñandejara Pólo  e Ramona Pedroso fizeram  um jogo muito truncado e catibando,  tanto que o 2 a 1 mostra o equilíbrio das equipes.

Por já terem feito finais da copa da juventude e Jems o jogo  foi disputado lance a lance dentro e fora das quatro linhas, os gol saiu só no segundo tempo o time do Ramona fez contra aos três minutos e a atleta da Ramona marcou e empatou o jogo. Aos  nove minutos  Tainara chutou de longe e fez o gol  do título.

Segundo  os treinadores Paulo Roberto e Vinicius Artemam pelo esforço e preparação do time já e hora de conquistar titulo, essa equipe já vinha buscando há muito tempo essa conquista e muito festejada na Escola Ñandejara da Aldeia Te’yikue e foi à moda Guarani e Kaiowa.

A Escola Ñandejara Agradece o apoio e incentivo do Departamento de Esporte e da Administração Municipal.


Festival Canta Caarapó na Aldeia Te'yikue

Foi uma festa na realização de canta Caarapó 2009 na Aldeia Te’yikue Caarapó MS, No ultimo sábado 24 de outubro, realizada pela Secretária municipal de Desenvolvimento econômico e Departamento de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Caarapó.

Disputa emocionante em várias categorias entre eles, Gospel Infantil, Livre Infantil, Gospel Adulto e Livre Adulto, os jurado tiveram muito trabalho para julgar, foi interrompido por um instante para receber os jogadores campeão da Copa da Juventude contra Ramona de Dourados por 2 a 1.

Continuando a cantoria no final, na Categoria Gospel Infantil Tiane Benites ficou em 3°,Nathyely Marques em 2° e Jazanea Benites em 1° , na Categoria adulto Gospel Paulinho de Souza em 3°, a dupla Adenilson Daniel e Edson Daniel em 2°,Valdir Vilhalva em 1°, e no livre Infantil Lidice Serrano em 3° ,Nadia Ortiz em 2° e Josiane de Souza em 1°,Categoria Livre Adulto Rosali da Silva em 3°,a dupla Eliel Benites e Eliezer Benites em 2° e Valdemilson Benites pela segundo vez consecutivo ficou em 1° lugar.

Segundo Organizadores a chuva atrapalhou um pouco, mas prosseguiu com muita animação, esta e 5° edição do evento no município na aldeia e segundo evento mais importante depois da semana dos povos Indígenas.


Video no www.tekoarandu.org Link galeria de video

ou www.youtube.com/devanildoramires Links Direto

 


October 20

Alegrias da direita

 “A notícia sobre a "alegria" da Famasul revela o recrudescimento da disputa ideológica, política, administrativo, parlamentar, judicial e midiática que já está em curso.
Os povos indígenas e seus aliados mantém-se maobilizados com sólidos argumentos para impedir a consagração dos interesses capitalistas sobre as terras indígenas e dos trabalhadores.”(Paulo G – 4/10/09)

 

O direito à alegria é sagrado e universal. Deveria até constar na declaração universal dos direitos humanos. Agora quando essa alegria se dá com a negação dos direitos  coletivos de povos ou comunidades, então o nome é outro, é no mínimo sacanagem.

 

A corda e o acórdão

Quando os interesses de políticos e grupos econômicos tentam tripudiar  sobre o direito dos povos indígenas, estão na verdade fazendo apenas uma leitura jurídica,  insustentável quanto ao processo dos direitos dos povos indígenas no Mato Grosso do Sul. Gostaria de trazer a análise que a esse respeito faz um dos maiores conhecedores em termos de legislação referente aos povos indígenas hoje no Brasil. Ele assim se expressa a respeito da “temporalidade”, com a qual trombetearam forças da direita que seria o fim da demarcação de terras indígenas no Mato Grosso do Sul:

“A ânsia da direita em extrair as conseqüências nefastas e genocidas para os povos indígenas os leva a não considerar ou a menosprezar o seguinte tópico da Ementa do Acórdão do julgamento da Petição nº 3388, que decidiu sobre a regularidade da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, elaborada pelo Relator, Min. Carlos Brito:
"11.2. O marco da tradicionalidade da ocupação. É preciso que esse estar coletivamente situado em certo espaço fundiário também ostente o caráter da perdurabilidade, no sentido anímico e psíquico de continuidade etnográfica. A tradicionalidade da posse nativa, no entanto, não se perde onde, ao tempo da promulgação da Lei Maior de 1988, a reocupação apenas não ocorreu por efeito de renitente esbulho por parte de não-índios. Caso das fazendas situadas na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, cuja ocupação não arrefeceu nos índios sua capacidade de resist ência e de afirmação da sua peculiar presença em todo o complexo geográfico da Raposa Serra do Sol"

Este tópico da ementa aparece logo após o tópico que reconhece o marco temporal dos direitos originários dos povos indígenas sobre as terras que tradicionalmente ocupam como sendo o início da vigência da CF, em 5/10/1988.
Isto significa que os invasores das terras indígenas não têm como pretender se legitimar nas terras que ocupam com base nas agressões e violências que praticaram e ainda praticam contra os povos indígenas.
E esta é exatamente a hipótese que há décadas massacram os Kaiowá/Guarani, no Mato Grosso do Sul, como oprimem vários outros povos indígenas.”(Paulo Machado)

Portanto pretender prender com uma corda as terras Guarani, através do referido acórdão é no mínimo uma insanidade.

 

 Sepé Tiaraju

 

Desde o mês de setembro Sepé Tiaraju, Guarani, é um dos 10 inscritos no livro de Aço dos Heróis Nacionais. Não vi nem ouvi  que algum dos 300 mil Guarani sobreviventes do massacre e que hoje estão em cinco países da América do Sul,  tivesse se regozijado ou festado a homenagem, justa, sem dúvida. Dos descendentes Estados coloniais querem muito mais do que reconhecimentos, que mais soam a dor de consciência pelo massacre perpetrado do que um gesto de reconhecimento de direitos, e principalmente  de suas terras tradicionais, espaços vitais para sua sobrevivência com dignidade.

 

Os Guarani continuarão sua dura jornada histórica de resistência e luta, buscando cada vez mais articular e unir suas forças para a conquista de seus direitos. O mês de outubro é o mês especialmente dedicado aos povos da Grande Nação Guarani. Vários encontros e eventos estão sendo realizados nos diversos países em que vivem hoje. Na próxima semana será realizada uma Aty Guasu-Grande Assembléia Guarani na Terra Indígena Yvy Katu, um encontro com representantes dos diversos países no Paraná. O Encontro continental previsto a ser  realizado com o apoio do Ministério da Cultura e vários outros ministérios e entidades nacionais e internacionais, seria realizaria na aldeia Guyraroka, foi transferido para início do próximo ano para  Foz do Iguaçu. Está agendado  o III Encontro Continental Guarani, previsto para se realizar no Paraguai no próximo ano. E assim a agenda de luta do povo Guarani vai se ampliando com um mundo cada vez mais solidário com sua causa.

 

Sepé Tiaraju certamente estará inspirando e dando força a seu povo nessa luta que continua tão desigual quanto em todo o período da invasão colonial. Os Guarani não precisam de um herói no livro de Ação. Precisam sim, o reconhecimento de seus direitos, o respeito e o reconhecimento de suas terras e seu teko – maneira de ser e viver Guarani.

 

Abrindo portas fechando estradas

 

Os Terena no Mato Grosso do Sul, decidiram por um ato de visibilidade à situação de morosidade e paralisação dos trabalhos de identificação de suas terras. Na madrugada de ontem fecharam as  BR 163 e MS 162 para dizer ao país que os processos de identificação e regularização de suas terras estão inexplicavelmente paralisadas. “Queremos que demarquem logo nossas terras. Só queremos isso. E caso não  houver continuidade, nós vamos demarcar nossas terras, do jeito que sabemos fazer”, expressou um dos líderes.

 

Desta forma, fechando estradas, é que entendem poder abrir as portas para a continuidade dos trabalhos demarcatórios de suas terras. Enquanto a direita comemora os povos indígenas fazem avançar a esperança.

 

Egon Heck

Cimi MS

Campo Grande, 7 de outubro de 2009

 

September 14

Despejo Ñanderu Laranjeiras: o extermíndio é assim

Por Lauriene Seraguza

 O tempo está fechado. Do céu, ameaça cair água. Água que tanta falta faz nas panelas dos Guarani e Kaiowá  que foram despejadas ontem, 11 de setembro de 2009 da área indígena Ñanderu Laranjeiras de Rio Brilhante, MS.

Por ordem da justiça, os indígenas tiveram que se retirar até as 12h e 40 minutos deste dia.  Mais uma vez foram expulsos de sua terra. Lá tinham casas, mata, rios, histórias. Em meio ao desespero das crianças, de idosos, de todos, uma liderança se levanta e afirma: “O nosso sangue também é vermelho. ” Será? Será leitor que o sangue dos indígenas é tão vermelho quanto o dos não indígenas?

Porque se for, o que justifica tanta falta de respeito para com os outros? Pois sim, o problema não é o da cor do sangue, trata-se de um problema social e que não é recente.

Tudo começou com a questionável teoria de que Cabral, junto com os demais portugueses, descobriram o Brasil. Por acaso, eles estavam a correr para as Índias em busca de especiarias, quando no meio do caminho tinha uma pepita. Valiosa, mui valiosa amigos. Desde então, o escrivão Pero Vaz de Caminha, já documentara a existência dos povos indígenas.

Mas até hoje, muitos insistem na inexistência deles. Ou na crença de que eles não eram daqui.

Os portugueses, salvo muitos da atualidade, invadiram o Brasil. Impuseram sua língua, sua religião, seus costumes, seus hábitos alimentares. E muitas de suas limitações para entender a lógica cultural dos outros.

E há mais de 500 anos, os povos indígenas vem sendo execrados pela sociedade por lutarem para que sua cultura permaneça. Lutando pela garantia de sua identidade étnica; que o capitalismo persiste em massificar.

Por acaso, o “dono”, (digo assim porque não consigo compreender, conceber a terra enquanto propriedade privada) da fazenda onde os índios Guarani e Kaiowá da Ñanderu Laranjeiras foram despejados é conhecido como Português. Sei que há muitos portugueses que não merecem essas palavras, mas não importa, não é a eles a quem me refiro.

O Português conseguiu, por enquanto, que os índios fossem expulsos de suas terras. Os índios, sem ter para onde ir, foram para o lado de lá da porteira, onde a extinta floresta, é cortada por uma rodovia veloz.  Montaram barracas de lona, simples e barata doada por alguém, que com certeza não resistiria à água que prometia os céus. Nem ao sol escaldante que precedia tal chuva.

Foi embaixo desse sol escaldante, em que se prostravam crianças, idosos, homens e mulheres em posição de desespero e luta; juntos, unidos, que receberam a presença esperada da Polícia Federal. Em várias viaturas, vestidos de preto, os homens com armas, as mulheres com spray de pimenta, chegaram para o “diálogo”. As crianças Guarani e Kaiowá olhavam curiosas e intrigadas sem entender o motivo da presença dos policiais ali. Já os policiais, olhavam intrigados a se perguntar do porquê os índios davam as mãos, as mulheres batiam a taquara no chão, em roda, homens, mulheres, crianças, sorrindo, cantando. Rezando.

O Português chegou. Os índios em coro pediam para que ele saísse. Ele não podia compartilhar tanta tristeza. Ele era o culpado.

Quando as viaturas se foram, deixaram aos índios um prazo de cinco dias para retirarem as estruturas de suas casas e a permissão para que eles permanecessem em frente a fazenda. No limite da porteira até a beira da rodovia. Isso, para que pudessem recomeçar já que são de lugar nenhum e lá estão, em vigília constante. De mãos dadas puxaram um guaxiré, esperançosos por justiça, desamparados, abandonados. Mas não terão medo. E Não desistirão. Porque são o povo Guarani, o grande povo.

A chuva chega no sol poente. Os Guarani e Kaiowá ficaram lá. Mais uma vez, a esperar. Maldito seja o latifúndio. Malditas sejam todas as cercas da propriedade privada. Demarcações Já!


 

[1] Referência  a música Extermíndio de Fernando Bola.

[2] laurieneseraguza@yahoo.com.br




 
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